A previsão de carga do Sistema Interligado Nacional (SIN) é um dos principais insumos para o planejamento da operação elétrica, expansão da infraestrutura, formação de preços e tomada de decisões no mercado livre de energia.
Nos últimos anos, entretanto, agentes do setor passaram a questionar a aderência entre as projeções divulgadas nos Planos da Operação Energética (PLAN) e a carga efetivamente observada. O tema ganhou ainda mais relevância a partir de 2025, quando diversas revisões das previsões mantiveram expectativas elevadas de consumo, apesar de um desempenho realizado inferior ao projetado.
Com o objetivo de contribuir para essa discussão, a Camerge realizou uma análise dos dados públicos disponibilizados pela EPE, considerando também os dados preliminares do ONS para abril e maio de 2026.
O estudo avaliou as previsões de carga presentes nos PLANs 2025-2029 e 2026-2030, bem como suas respectivas revisões quadrimestrais.
Para garantir comparabilidade, foi considerada apenas a previsão referente ao primeiro ano de cada planejamento, confrontando-a com a carga efetivamente realizada entre janeiro de 2025 e maio de 2026.
A proposta foi analisar não apenas o erro médio das projeções, mas principalmente a evolução das revisões ao longo do tempo e sua aderência ao comportamento real da carga.
Análise das Previsões do PLAN x Carga Realizada
Em uma análise inicial, os resultados podem sugerir um nível razoável de assertividade. O maior erro médio identificado foi de aproximadamente 2,9%, percentual que, isoladamente, poderia ser considerado aceitável em processos de projeção de grande escala.
Contudo, uma avaliação mais aprofundada revela um comportamento relevante: mesmo diante de sinais consistentes de realização abaixo do esperado, as revisões subsequentes mantiveram projeções relativamente elevadas.
Outro aspecto que chama atenção é a ocorrência de 14 meses consecutivos em que a carga realizada ficou abaixo das previsões originais dos PLANs 2025 e 2026.
Além disso, em determinados períodos, os desvios superaram 2 GW médios, magnitude suficiente para influenciar análises de mercado, perspectivas de suprimento e expectativas relacionadas ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).
Historicamente, EPE, ONS e CCEE sempre destacaram que os modelos utilizados não possuem viés deliberado de superestimar ou subestimar a carga do sistema.
A análise da Camerge não busca questionar a integridade dos processos de planejamento, mas sim avaliar os resultados observados.
Sob essa perspectiva, os dados indicam uma tendência recorrente de projeções acima dos valores realizados durante o período analisado. Esse comportamento levanta questionamentos importantes sobre os parâmetros utilizados, especialmente em cenários de desaceleração econômica, mudanças no perfil de consumo e crescimento da geração distribuída.
A previsão de carga influencia diretamente diversas variáveis estratégicas do setor elétrico, entre elas:
Quanto maior a precisão das projeções, maior a capacidade dos agentes de tomar decisões fundamentadas e reduzir exposições desnecessárias.
Por isso, acompanhar criticamente os indicadores de carga e suas revisões tornou-se uma prática essencial para empresas que atuam no mercado livre de energia.
Os resultados observados entre janeiro de 2025 e maio de 2026 mostram que a discussão sobre a acurácia das previsões de carga continua relevante para o setor elétrico brasileiro.
Embora os erros médios permaneçam relativamente controlados, a persistência de realizações abaixo das projeções e a manutenção de expectativas elevadas nas revisões sucessivas indicam a necessidade de monitoramento constante por parte dos agentes de mercado.
Na Camerge, acompanhamos continuamente os indicadores que impactam o mercado livre de energia, transformando dados em inteligência para apoiar decisões mais seguras e estratégicas.
Quer entender como as tendências de carga podem impactar sua estratégia energética? Entre em contato com a equipe da Camerge e acompanhe nossas análises exclusivas sobre o setor elétrico brasileiro.